segunda-feira, 31 de maio de 2010

LOVE IS NO BIG TRUTH

por Maria Rita Angeiras


Engraçado, assim como a música, tudo que eu também tenho feito o dia inteiro é dormir e pensar em você. E eu estou tão exausta dessa obrigação de descansar que às vezes eu me pego despertando mesmo já estando acordada há tantas e tantas horas, como se o tempo não passasse nunca na minha janela. Isso porque meu corpo desistiu de acompanhar a minha cabeça depois do décimo passeio que fiz hoje pelo supermercado, tentando achar nas prateleiras algum sentido para aqueles dias vazios ou tentando comprar, com o meu cartão de crédito, alguma coisa que me cause tanta alegria no estômago quanto a sua voz e os seus olhos. Mas a música corrige e repete, com uma melodia deliciosa, que o amor não é nenhuma grande verdade. Não, o amor não é nenhuma grande verdade. Com uma enorme flor branca nos braços, resultado de uma velha promessa que eu fiz e não consigo cumprir nunca, eu volto para casa discordando daquilo. É, eu discordo. Porque eu escuto a risada de Clara do outro lado da linha, enquanto ela brinca com os óculos de moldura vermelha, e eu me sinto tão viva que crio coragem de ser feliz sempre que a gargalhada debochada dela me pedir. Porque as palavras doces da minha mãe são o meu travesseiro, e esse jeito incorrigível que ela tem de botar fé no mundo é o que alimenta todos os dias o que sobra da minha poesia distraída. Porque eu decido ir para casa ver a minha família e, de repente, tudo faz muito sentido e eu perco essa expressão subliminar que me acompanha de segunda a sexta. Porque eu gosto de ouvir a sua voz e ela me acalma e eu sei que vai ficar tudo bem, porque você é o tipo de pessoa que sempre faz isso com os outros e porque eu sou o tipo de pessoa que sempre se apaixonaria por você, quantas vezes você quisesse. E, por fim, mas não por falta de outros argumentos, porque o amor, se não for uma grande verdade, é a única mentira que a vida precisa para ser muito, mas muito boa mesmo.

6 comentários:

Deca disse...

"tentando achar nas prateleiras algum sentido pra aqueles dias vazios ou tentando comprar (...) alguma coisa que me cause tanta alegria no estômago quanto a sua voz e os seus olhos"
Peraí que eu vou ali chorar até desidratar e já volto.

Caramba... aceitou o tiro. Boniito!

Se bem que sou suspeita pra falar das linhas escritas pela Maria Rita. São de muito bom gosto. MESMO.

E o André tem uma veia cômica absurda! Sutil, sabe? Aconchegante mesmo.

Parabéns =]

Unknown disse...

sucesso pra vcs...
blog com muita inteligência e muitas pitadas de sabedoria!

Priscila Lima
www.conchasbelas.blogspot.com

Anônimo disse...

Vem, menina...
Vem descansar um pouco...

Todo amor.

Alice disse...

Você põe em palavras o indizível!
...

GRATA!!!

Juliana Cunha disse...

Eu simplesmente amei este post. Quanto sentimento e quanta delicadeza para expressá-lo.
Parabéns!

Anônimo disse...

sem palavras!
Amo-te,
Dida.