por Rafael Moreno
Lucas, que estava fazendo a primeira eucaristia, rezava antes de dormir e sempre beijava a cruz do trancelim quando fazia gol, ficou surpreso quando ouviu os pais, que nunca foram lá muito católicos e só botaram o filho na comunhão por insistência da avó materna, anunciarem que iriam cancelar o peixe e fazer um churrasco. Tão surpreso que saiu correndo pela grama, gritando:
- Cristo assado! Cristo assado!
Dando soquinhos no ar, no maior estilo Pelé.
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Frederico achou que seria legal passar o feriado na praia com a irmã e o namorado finlandês que ainda nem conhecia. Os três passaram os dois primeiros dias em casa, jogando cartas e assistindo filmes. Chuva o tempo inteiro. Quando ligaram para Frederico de uma praia vizinha, dizendo que estavam na maior festa, mulheres, bebidas e músicas dançantes, mesmo com a chuva, ele pegou o carro, comprou um litro de teacher's, colocou desodorante e dirigiu até metade do caminho, quando descobriu que nenhum carro passava por causa de um atoleiro. Frederico voltou pra casa e bebeu meio litro de uísque. A outra metade quem bebeu foi o cunhado.
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Carol achava que era pecado ter relações sexuais antes do casamento, quanto mais no domingo de Páscoa. Vamos só ver o filme, Fabinho. O filme é bom. Deus castiga, Fabinho. Não faz isso, Fabinho. Só que Fabiano estava num dia daqueles e Carol bem que gostava desses dias. Deixou ele colocar a mão entre o jeans e calcinha. Foi nessa hora que o pai chegou.
- Eu não disse! Eu não disse!
Dizia Carol enquanto corria para o quarto escondendo o rosto, deixando Fabinho parado na sala.
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Maria Inácia resolveu ir para a fazenda da irmã, já que o marido queria trabalhar em casa no feriado.
- Claro que ele não vai trabalhar, Maria Inácia.
Mas Maria Inácia acreditava que Alfredo era um santo.
- Ele é um santo, o bichinho. É quase Cristo.
Quando chegaram no domingo de Páscoa, Alfredo estava dormindo no chão, com uma calcinha vermelha na mão esquerda e um sutiã amarelo no dedão do pé direito. Enrolado numa toalha, com oito garrafas de champanhe, um tubo vazio de molho inglês e meio ovo de páscoa.
- Mata. Mata ele, Maria Inácia - disse a irmã, que se chamava Fatinha, quando soube da história por telefone - deixa que depois ele ressuscita.
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