segunda-feira, 15 de junho de 2009

COMO QUEM RESPIRA

por Maria Rita Angeiras



É o minuto, é o instante, é o seguinte, é a hora,
que passa, que vira, que muda, e o resto é mais, é menos,
depende da hora, do tempo, do segundo,
mas é tudo tão sonho, pesadelo, escuro, sossego.
São planos, papéis, lençóis, travesseiros,
enganos, puros, humanos, erros, adoráveis consertos,
portas e linhas tortas, mas minhas, só minhas, importa?
É o vento, é o poema, é o beijo, chorado, apertado, soluçado,
é a despedida com um lenço na mão, que segura, feito peneira,
as palavras, como areia, que vão caindo no chão.
É o talvez, é o pode ser, é o sim que não cai,
segurado pelos braços, pelos pés, atados,
pela dúvida, pelo vai, pelo não vai,
mas se duvida, não toca, então sai, só sai.
É a loucura sem a doidice de vez,
cada vez, dessa vez, mais uma vez, quantas vezes?
Dois, só nós dois, sem eles, sem vós, nós.
Um passo atrás e estamos sós.
É a cama, é a lama, é o céu de pijama,
ama, não engana, não brinca, e vou, e volto,
e sumo, e te adoro, e te amo, e te odeio, e te xingo e te gosto.
São sorrisos, conversas, borrachas, papéis,
brancos, azuis, coloridos, perdidos
no incrível preto, amarelo, roxo, rosa, verde, infinito.
Madrugadas sem volta, só de ida, sem vinda,
linda, louca, viva, mas perdida, eternamente perdida.

4 comentários:

Elisa Lis disse...

muito bom

sincero.

Identificações várias...

Anônimo disse...

Destaques
"puros, humanos, erros, adoráveis consertos,
portas e linhas tortas, mas minhas, só minhas, importa?"

"é a despedida com um lenço na mão, que segura, feito peneira,
as palavras, como areia"

"É a loucura sem a doidice de vez"

São siginificantes de vida.
Gostei muito.

Anônimo disse...

Quem reflete assim, vai lá ser eternamente perdida? Nunca pare de escrever..
Rose

Anônimo disse...

quanta identificação!
pra tentar amenizar a saudade..."to aqui" no meu domingão!
Dida.