por Maria Rita Angeiras
Você foi a primeira a nascer, mas já chegou com a manha das caçulas, pescando sorrisos com olhares doces e enchendo nossas vidas de música e de risadas, desconfiando do seu alto poder diante de tanta gente boba de amor. Não pude te conhecer logo, quando você fez bico na maternidade e decidiu ficar lá mais um tempo, mas era certo que estava apenas descansando sua alegria frágil antes de receber tantos cheiros, apertos e beijos. E quando te conheci, algum tempo depois, já de roupa colorida e olhos pretos curiosos, você só não me partiu em duzentos pedaços pequenos porque eu tinha que te segurar bem forte nos meu braços. Você me ganhou no primeiro segundo e me ganha cada dia que eu vou pra terrinha e acordo cedo, coisa que nunca fiz, só pra te pegar no colo e decorar cada parte perfeita do teu rostinho de princesa antes de voltar pra casa. Dizem que você se parece comigo quando criança e eu faço questão de também achar, carregando uma certa glória por você poder se lembrar da sua tia não pelas raras visitas, mas pelas vezes em que você se olha no espelho, brincando de ser boneca que anda e que fala. Também rezo todos os dias pra você não crescer com pressa, pra poder aproveitar bem muito o castelo que a gente construiu com um dragão bravo na porta só pra zelar teu sono e te proteger dos pesadelos. E me apavoro de saber que você já está correndo feito uma doidinha, porque agora já pode fugir sorrateira dos nossos abraços apertados demais e do nosso jeito bobo de te amar incondicionalmente. Enquanto isso, vou ensaiando daqui de longe os “não” que nunca vou conseguir te dizer e toda a poesia que ainda vou escrever pra falar do amor que esse teu berço guarda, como uma caixinha de música que guarda uma bailarina cansada de dançar o dia inteiro. E quando penso que você é a nossa menina, sei que me engano. Não é você que é a nossa menina, nós é que somos todos seus, minha linda.
5 comentários:
De matar! Lindo!
Sem comentários, Sis.
Suas palavras transbordam o amor mais puro que pode existir... Ela é tudo isso mesmo pra nós.
Saudade. Se cuida. Bjo.
Bel
um dos textos mais transbordantes de singelo amor que já li.
Bravo!
Rita,
Te achei nesse blog por acaso, lendo o de Samarone, que acompanho sempre. Lindo texto! Esse amor de tia é imenso e sincero demais! Não vou cansar de ser tia nunca :). Parabéns pra essa família linda que tive o prazer de conviver em uma das fases mais felizes da minha vida!
Bjão de Má (amiga de Fé, do Capiba)
:)
Coisa mais linda essa "Ia Ita" de Clara, mesmo distante, vc está sempre perto de nós, viu irmã?! Sempre mostro a foto para a picôta!!
Amamos mto tu
P.S. Má, que saudade!! Bjao!!
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