por Maria Rita Angeiras
Têm a malícia, a malandragem, o jeitinho sem querer de pisar na bola, como criança quando quebra um vaso, só pra ver se parte mesmo. E nós partimos, partimos mesmo. Em duzentos pedaços, colados, trincados, suados, recolocados. Amamos beijos, abraços, promessas. Promete o mundo que prometo acreditar, meu bem, minha casa, meu quase nada. Abre os braços, a vida, o caos, o lapso, vai que eu abraço. Minto eu, mentes tu, mas mentimos juntos. Mente pra mim. Minto pra mim também. Juro. Amamos ser enganadas, letradas na arte de amar, erradas. Apostamos alto, sempre. No pôquer, na loteria, no amor. Uma chance em um milhão. Vai que acertamos. Apostamos hoje, amanhã e depois, mesmo com o vaso sem um pedaço. Ou dois, ou três ou quatro. Amamos com fé, com alma, mas sem corpo fechado. Mutilado, cansado, sofrido, estendido no chão depois de morrer de vocês. Somos as outras. As outras, das outras das outras, até vocês fecharem o círculo passando por todas, com o nosso amor espalhado em bocas, com nossa dor zombada por outras. Mas abraça, beija, pede desculpa e faz graça. Em troca reclamo, te chamo, te amo, me engano. E, mais uma vez, faço do meu coração tua casa.
8 comentários:
Por que? Por que nós somos assim, Rita?
Lindo, adorei!
É, e somos assim, querendo ou não!
È lindo, parabens!
Queria te ver apaixonada e por alguém apaixonado por ti...
é que eu faço parte daquele grupo que transforma os desencontros em poesia. já os encontros eu mantenho fora do blog, a salvo da terrível limitação das palavras.
;)
obrigada
maria rita angeiras
caramba ritinha, tu até comentando fala bonito. affe. bjo.
andré
Perfeito!!!
Inevitável não rir: é preciso ficar lembrando, né?
Muito dez: a postagem e a seção "comentários".
Te amo
Lori
sem palavras!
Dida.
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