por Maria Rita Angeiras
“Não se fazem mais Audrey Hepburns.”
A frase acima saiu de um longa bem água-com-açúcar que acabei deixando rolar na televisão por pura distração. E se a minha memória não estiver me traindo, saiu da boca do Owen Wilson, decepcionado com uma mulher que tinha trocado ele pela torcida do Red Sox – inteira, diga-se de passagem. Mas foi a melhor coisa que eu ouvi de alguém no sábado.
Eu, como mulher, assino embaixo. Porque assim como os babaquinhas de pulgueiros, bem recorrentes nas minhas crônicas, também existem as putinhas de pulgueiros. Que dupla, hein? Bem o tipo que acaba se separando depois de três meses de relacionamento. Três meses não, três dias. Tudo bem, pode me chamar de careta, mas eu assumo numa boa meu lado old school. Ter uma atitude “casual” dá muito mais trabalho que ser romântica. Até porque até hoje não conheci nenhuma mulher totally-casual-kind. Não verdadeiramente. Todo mundo acaba só fazendo aquele tipinho de one-night-stand-super-bem-resolvida-da-estrela. É realmente patético.
Por isso, assim como o Owen Wilson, eu digo: não se fazem mais mulheres como antigamente. E ainda acrescento: também não se fazem mais homens como antigamente. Na falta de Hepburns – no lado feminino - eu reclamo do excesso de Pierce Brosnans, no lado masculino. Todos querem ser 007 – com o seu life style de playboy comedor, com licença para atirar para todos os lados, procurando uma Bond Girl por noite e tomando algo mais decadente do que um vodka-martini numa balada nada glamourosa na Barra Funda. Toda esquina tem um James Bond na versão “decadance”, é deprimente, na boa. E, como não podia deixar de ser, as Bond Girls são loiras, com exceção da Halle Barry e mais umas duas ou três. Nada contra as loiras, só estou endossando o estereótipo mesmo.
Voltando: onde estão os caras bacanas dos filmes da década de 40? Onde está o romantismo? Onde está a poesia? Onde está o amor verdadeiro? Onde está o comprometimento? Vou alugar um filme preto e branco e lamentar o fato de que esses homens não existem mais – ou já estão comprometidos com alguma Audrey Hepburn remanescente.
É isso: estou declaradamente de saco cheio dos Brosnans e dessa grande seita criada em cima do legado do 007. Afinal, é o sonho de qualquer um: muita aventura, helicópteros, iates, explosões, viagens e milhares de mulheres. Mas eles não querem saber de salvar o mundo, eles querem foder o mundo. E sabe qual é a pior parte disso tudo? Nenhum deles é tão bonito, tão charmoso, tão gostoso e tão irresistível como o Pierce Brosnan.
2 comentários:
palmas pra ela.
bravo!
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