quinta-feira, 12 de junho de 2008

PRA QUEM TEM CORAGEM DE ADMITIR: SIM, OS SOLTEIROS SÃO MAIS INTERESSANTES.

por Maria Rita Angeiras




Felizes os corações partidos, arrasados e devastados por amores que não deram certo, pelos que acabaram por falta de correspondência, pelo desgaste afetivo, pela dura racionalidade unilateral e por tantos outros motivos que se encaixariam perfeitamente na teoria do eterno retorno. Que vão e vem com o mesmo intervalo dos suspiros, dos beijos e dos "eu te amo". Eu agradeço todas as lamentações que motivaram milhares de escritores a se debruçarem sobre cartas, escritos, máquinas de escrever e computadores para desabafarem as casualidades, os pensamentos atormentados, a angústia, a felicidade, a alegria, o medo ou os simples fatos da vida que lhes acometiam nesses dias de dor de cotovelo. Todos eles. Poetas, romancistas, filósofos, cronistas, compositores, enfim, inúmeros nomes de todas as áreas que dedicaram sua tristeza e seu tempo livre a escrever. Sim, escrever. Filas e filas de pequenas almas melancólicas, apaixonadas e passionais que, numa folha em branco, encontravam uma distração para a imprevisibilidade do amor. Palavra lugar-comum, clichê, banalizada. Desejada. Solteiros discutem coisas mais importantes. Odeiam ser solteiros. Se engajam em projetos diferentes. Odeiam ser solteiros. Estudam mais. Odeiam ser solteiros. Fazem programas diferentes. Odeiam ser solteiros. E, por final, encontram um grande amor. E odeiam os solteiros.






* Sugestões do dia: balada, bar ou karaokê. Mas tem quem diga que karaokê pode cair no deprê japas-cantando-a-música-evidências-para-suas-amadas. Em qualquer caso, nada de colchão, ok?

2 comentários:

Anônimo disse...

Um certo autor diz que a "arte do mágico parece ser esconjurar a esterilidade sem sentido do mundo e propiciar a germinação".
Ainda bem que essa difícil arte de exercitar o amor é cíclica/viva e propicia, na materialidade da escrita e da vida, que possamos reinventar a rotina, saindo do colchão.
Adorei!

Anônimo disse...

Identificação...as usual!
muita saudade.
Dida.