quarta-feira, 27 de agosto de 2008

UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS

por andré muhle


E se fosse mesmo possível apagar alguém da nossa memória?
Simplesmente escolher uma pessoa e puff…delete.
Não quero discutir aqui sobre o processo que tornaria isso viável,
quero sim ir direto para a segunda pergunta: quem você apagaria?
Uma ex-mulher que até hoje lhe faz sofrer.
Um namorado do passado que nunca saiu da sua cabeça.
Um cachorrinho de estimação que partiu dessa pra melhor.
Bom, gente pra apagar não faltaria. Imagina então como a vida ficaria mais fácil. Você acabava um relacionamento de dez anos e no dia seguinte nem lembraria da outra pessoa.
Psicólogos e escritores de auto-ajuda estariam falidos.
Mas eu fico aqui pensando.
Seria suficiente apagar a pessoa ou teríamos que apagar tudo que de alguma forma lembrasse ela?
A música do primeiro beijo. O bar do último encontro.
O crepe de rúcula e tomate seco que vocês sempre comiam juntos.
Falando sério, imagina a bagunça que ia virar se essa moda pegasse mesmo. Iam ter ex-namorados se cruzando na rua sem se reconhecer.
Maridos dando em cimas de suas próprias ex-mulheres.
Vou ainda mais longe.
Eu poderia apagar uma menina ontem e me apaixonar por ela hoje.
Bastava para isso ver aquele jeitinho dela arrebitar o nariz.
Sim, porque eu posso ter me esquecido dela, mas continuo me apaixonando por meninas que arrebitam o nariz.
Entende o que eu quero dizer?
Sem falar nas chantagens que começariam a surgir:
“Querido, vamos passar as férias na casa da mamãe senão eu te apago”, “Renata, traz logo essa cerveja antes que eu te delete”.
Concluindo toda essa história, eu queria só dar uma opinião pessoal.
Sei que a possibilidade de apagar certas pessoas é realmente tentadora.
Aposto até que você já cogitou alguns nomes aí na sua cabecinha.
Mas, de verdade, acho que no final de tudo isso seria uma coisa ruim.
Sabe aquele negócio de aprender com os erros? Então, esse é o grande lance.
Se a gente apaga alguém que nos faz mal de alguma forma,
estaríamos sempre condenados a cometer os mesmos erros. Depois e depois e depois. Tem mais. Se Romeu tivesse apagado Julieta, será que ele teria sido feliz com outra mulher?

7 comentários:

Anônimo disse...

Oi, André. Tô com você. Quero não apagar alguém. Todos - todos - foram importantes, até mesmo aqueles que deixaram possíveis marcas de dor. Porque a gente aprendeu com eles enfim. Adorei o post.

Herval disse...

esse nao é o roteiro daquele filme do jim carrey?
nao acho que teria que apagar nada alem da pessoa. Voce continuaria com as boas lembrancas, so nao saberia com quem foi...
coisa do tipo 'eu sempre comi crepe de abacate com... era com fulaninha, nao era? Acho que era mesmo...', que acontece com todo mundo mesmo sem maquininha-de-apagar-gente dando sopa por ai.. :-P

Lauree Nogueira disse...

Poxa! que dor de cutuvelo essa sua ai,não? Acontece! e coincidências não existem...se é que me entende!

Lauree Nogueira disse...

quando "cutuvelo", entenda , por favor como "cotovelo"...kk

Pedro Lazera disse...

acho que esse é o tipo de texto para se ler numa quarta-feira.

apelão :)

Unknown disse...

Como o tempo apaga tudo, ou pelo menos alivia qualquer dor... prefiro não sonhar com a tal da máquina.
Depois, é sempre bom sentar em mesa de bar e ter sentimentos assim para compartilhar... se identificar com letras de músicas...

Nanda.

M disse...

não posso apagar!
as cicatrizes da vida que me fazem ser que sou