por Maria Rita Angeiras
E teve aquele momento. Aquele momento na praia em que eu percebi que te amava, ou te amava mais do que pensava, porque a gente tinha brigado e eu não queria fazer mais nada por nós dois. Mas só de ficar perto de você naquele momento, eu senti uma dor muito grande perto do peito, dor mesmo, como uma pontada, um efeito colateral que acusava a sua perda. E eu fiquei alguns minutos parada, tentando examinar de onde vinha aquela dor, tentando entender como eu podia te amar tão inconscientemente, a ponto de um pedaço doer só de prever a sua falta. E eu não sabia como agir. Porque ao mesmo tempo em que descobri que te amava, também descobri que você tinha me traído ao ocupar silenciosamente alguns cantos dentro de mim, sem que ao menos eu percebesse, sem que ao menos eu pudesse impedir tudo aquilo de acontecer. Eu te encontrei dentro de mim, eu te vi lá dentro, misturado com meus planos, meus sonhos, minhas vontades e meus medos. Você fazendo parte daquilo tudo. Você pulando dentro de mim como um órgão vivo. Você percorrendo todos os meus cantos. Aquilo tudo sentindo a sua falta se você partisse. E me senti tão feliz e tão impotente ao mesmo tempo, enquanto você me encarava, tentando entender porque, de repente, eu tinha começado a olhar para o nada, quando na verdade eu olhava para dentro, tentando cavar todo aquele sentimento. Só pra ter coragem de te dizer que você era todo lindo, que eu te amava sem saber e que meu corpo precisava do seu abraço porque ele era tão forte que colava todos os meus pedacinhos, me deixando inteira, me tornando uma coisa só, me dando sentido, me fazendo sentir completa. E eu não expliquei nada. Eu só te abracei, mas dessa vez foi pra colar todos os seus pedacinhos que eu tinha partido com os meus gestos, as minhas palavras e o meu jeitinho de quem não se importa. E eu te colei inteiro, caco por caco, parte por parte. E você não falou mais nada. E eu não falei mais nada. Porque você me amava. E eu te amava de volta. E o resto são sempre só palavras.
* blog pessoal: http://eusouurgente.blogspot.com
9 comentários:
Extremamente terno...
lindo.
Dida
PS: saudade de nossas conversas de msn! No trabalho só uso Skype. Tu tens?
Amo-te moça.
Porque você me amava. E eu te amava de volta. E o resto são sempre só palavras.
Own *--*
Que Lindo.
Amei o seu blog.
Parabéns.
Ganhaste uma seguidora.
Bjo no ♥
como sempre, lindo! escrever sobre o amor não é para muitos... é preciso uma sensibilidade e simplicidade sem tamanho! E vc a tem.
abraço grande!!!
E o que sobra é nada além de algumas lembranças que não se esquecem. Amor é isso. Breve e intensa, adorei :)
E o que sobram são só incríveis lembranças que não se esquecem.
O amor é isso. Lindo o texto, breve e intenso. :)
Muito lindo o texto.
Parabéns
Lindo mesmo.
ui!
esse doeu, ritinha.
Cheiro,
Babi
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