por Andre Muhle
Vocês vão me dar razão quando eu disser que a senhora que conheci, há duas semanas no supermercado aqui do bairro, tinha um quê de insana. Na beira dos seus 70 anos, a curvada consumidora tinha uma fixação doentia por comprar lâmpadas queimadas. Passava horas e mais horas na frente do testador, colocando lâmpada por lâmpada até encontrar uma que não funcionasse. Não tinha outra, se a lâmpada tivesse queimada ia direto pro carrinho. Não tive coragem de perguntar o porquê dessa mania curiosa, até porque essa história nada tem a ver com o texto que vem a seguir. Só mencionei a tal senhora para que eu parece menos louco depois de vocês lerem o que vem adiante. Tenho sido constantemente rechaçado e discriminado pelo módico fato de ser apaixonado por remédios. Meus amigos estão me deixando de chamar para sair, já não recebo mais a convocação para as reuniões de condomínio e tenho perdido dezenas de seguidores no twitter todos os dias. Assim como tem gente que gosta de lâmpadas queimadas e gente que assiste Raul Gil, eu gosto de remédios, porra. Na verdade, eu amo remédios. Faço questão de ir pra farmácia, mesmo sem ter nada pra comprar. Gosto pelo simples prazer de passear entre as prateleiras. Aquele leve cheiro de éter espalhado no ar, aquela luz branca intimista e aquele colorido mágico de tarjas azuis, vermelhas e pretas. É uma sensação que beira o indescritível. São tantas novidades. Tantos remédios novos para dor de cabeça, para gastrite, para insônia. A vontade que eu tenho é de sair com sacolas e mais sacolas. Acredito piamente (continuo adorando essa palavra) que depois de tomar um remédio, qualquer que seja ele, eu sempre serei uma pessoa melhor do que era antes. Não pode ser genérico, nem muito menos esses homeopáticos que, para curar uma simples dor de cabeça, você precisa tomar 12 gotinhas todos os dias durante uns 5 anos. Tem que ser remédio de verdade, desses com efeitos colaterais e tudo mais. Inclusive não posso ler uma bula que em 5 minutos já sinto todas as reações adversas. E aí, se tomo um remédio pra gastrite, logo começo a sentir dor de cabeça. Então, tomo o remédio pra dor de cabeça e começo a sentir uma dor no fígado. E graças a esse raciocínio, fico tranquilo por saber que nunca precisarei parar de tomar remédio. Inclusive o Google tem me ajudado muito nesse sentido. Se sinto uma dor na nuca e começam a aparecer manchas vermelhas no corpo, vou lá na busca e descubro milhares de resultados. Um mundo novo se abre em frente aos meus olhos. Passo horas me deliciando com todas aquelas possibilidades: faringite bacteriana, hérnia de hiato, síndrome do intestino irritável e assim vai. Claro que tenho consciência que exagero um pouco. Muitas vezes queria tentar ser um pouco menos hipocondríaco. E, é por isso mesmo, que vou deixar aqui a promessa. No dia que inventarem uma cura pra hipocondria, vou ser o primeiro a correr até a farmácia pra comprar o remédio.
9 comentários:
Rs.. Eu não sei por que, mas lembrei tanto da sua mãe lendo este texto! E acho que descobri o motivo de vc ser hipocondríaco: primeiro óvulo fecundado da farmacêutica Galvão! Rs.. Menino! Como faz sentido isso! Rs.. (Pra fraqueza literária deve ter remédio, embora eu acredite que vc não esteja precisando, mas hipocondríaco né? rs..)
Adorei! Rs..
Essa coisa de ler bula e sentir todos os sintomas tem um diagnóstico e eu sofro disso também.
Além de hipocondríaco, você sofre da SIDS - Síndrome da Identificação dos Sintomas e pra isso meu caro, ainda não existe remédio.
Cláudia
Hahaha. Adorei o texto, mas cuidado, vai acabar doente de tanto tomar remédios. E outra, a auto- medicação é um perigo!! Não coloque a sua vida em risco assim, esses medicamentos tem mais efeitos colaterais do que benéficos.
Se cuida rs.
Beijos... Mônica
Totalmente excelente!!!!
hehehehehe
Adorei a critica.
PS: Isso foi uma critica ne?
rs
Eu vi o meu pai no post hahahahaha
Fazendo contato e aproveitando para deixar para vocês o nosso link na net. Manu (Vale do Catimbau - Comunidade Porto Seguro :)
http://linkpe.com/sadabisrael/israelitas_sulami.htm
Apareçam, vocês deixaram lembranças e muitas saudades!!!
Gosto também do ambiente da farmácia!! hehehe
gilvanycynthia
E mais uma vez, me encontrei no seu texto. Hipocondríaca convicta, não saio de casa sem minha sacolinha de remédios: sorine, neosaldina, moura brasil, floratil, eno guaraná, dramin e, em extremos casos, rivotril. Falta tudo na bolsa. Menos ela.
Abraços,
Patrícia Duarte
Postar um comentário