segunda-feira, 8 de outubro de 2007

MAKE IT DOUBLE, PLEASE

por Maria Rita Angeiras

“Homem é que nem biscoito: vai um vem dezoito”. Taí, essa é a frase mais mentirosa que as mulheres inventaram nos últimos tempos depois da famosa “hoje não, eu tô com dor de cabeça”. Sendo um pouco flexível, arriscaria dizer que dezesseis desses possíveis dezoito são do tipo que você encontra na balada. Tem os bêbados, os babacas, os drogados, os nerds, os bombadinhos, os vítimas da sociedade, os perdidos e os gloriosos não-vou-te-ligar-no-dia-seguinte-mas-me-dá-teu-telefone. Peça pelo número, querida, tem várias opções. Tudo mercadoria sem nota. Brinco que preciso ir pra balada com minha cara de menina pra casar, mas meninas pra casar não vão pra balada, fazer o quê. Voltando à quantidade de homens. Dezoito? Diga sinceramente: qual foi a última vez que você, inclusive, viu dezoito homens juntos no mesmo lugar? No estádio? Tá, mas de olho em quem? Nas coxas do artilheiro. Ah, talvez eu seja exigente demais com biscoito. Coisa de menina pra casar, claro.

Outro dia sentei na balada com uma fake cara de vodka demais pra evitar conversar e um cara encostou. Disse que queria conversar. De fato, queria. Aliás, ele só queria conversar mesmo. Um fotógrafo idealista. Passou meia hora discursando sobre a vida dele e só parava pra dizer que estava enchendo meu saco. Mas meninas pra casar são educadas. Elas colocam as mãos sobre o colo e ouvem atentamente, com a mesma placidez de quem faz tricô na varanda de casa. “Desabafe, meu caro”. Entre goles de vodka, sonhos e casualidades ele tenta se defender quando eu brinco sobre as intenções dos homens na balada. Ele concorda discordando: “imagina que o mundo tem dois milhões de pessoas. Desses dois milhões, 1 milhão e meio é gay. Trezentos mil são bi. E os duzentos mil que sobraram são héteros. E 1% desses duzentos mil são caras fiéis como eu, que têm namorada e vão pra balada sem ficar com ninguém”. “Idiota”, eu pensei. “Eu sozinha aqui na balada, ele senta, ocupa meu tempo, fala que tem namorada e ainda diz que faz parte dos 1% que são fiéis”. “Muito prazer, meu amigo”. Olho pro céu e resmungo que só eu mesma pra ir na balada conhecer alguém que faz parte desses raros 1% mas já é comprometido”. Nessa hora a torcida do São Paulo levanta e grita: loser!

Pelas estatísticas, decido aderir ao fato de que as pessoas realmente interessantes estão em casa assistindo filme iraniano e não na balada, impregnadas de cigarro, tropeçando de tão bêbadas e sacudindo a escassa massa cerebral ao som de tutz-tutz, ou putz-putz, como dizem por aqui. Vou esperar o príncipe encantado em casa mesmo. Quando ele tocar a campainha, vou baixar o volume de “Desperate Housewives”, assumir a cara de colchão – e não a de menina pra casar, girar a chave, encostar na porta e dizer: “você tá atrasado”.

10 comentários:

maria clara disse...

meninas interessantes não assistem filmes iranianos. as pseudo, talvez.

meninas interessantes, para casar ou não, vão para qualquer canto.
até mesmo para baladas, e encharcadas de vodka e cigarro, podem mesmo chamar a atenção de alguma espécie representante da tribo do 1% de uma estatistica doida.

os representantes desta tribo não costumam ser mesmo interessantes.

meninas interessantes costumam vivenciar momentos e clichês não tão interessantes, e descrevê-los em blogs, de maneira interessante.

meninas interessantes costumam gostar de biscoito. mas não numa quantidade como dezoito.

menina. interessante.
parabéns!

Gustavo Nardini disse...

Bom Ritinha! Melhor você desistir querida, se homem fosse bom, Deus tinha um. Aliás, se deus fosse bom, ele teria um.

mojitos disse...

Sugestão?

Vai numa bilioteca e vê se você encontra algum rapaz dormindo num dos cubículos de estudo. Esse povo tem muito a dizer, mas não fala para todos :D

E som minimalista, só o Philip Glass mesmo.

T+

Anônimo disse...

Hoje estava eu folheando uma revista de noivas( de lu) cheia de mulheres com caras de menina pra casar e caras lindissimos prontos pra casar,pelo menos vestidos para tal...eis que chega a minha mãe e me vê com a danada nas mãos e pergunta: Escolheu o vestido, minha filha?? e eu - O vestido não, mas o noivo sim, é só pedir pelo catalogo??
bjocas xuxu
nat

Anônimo disse...

Esquece o principe encantado querida, esse ai, deve ter caído do cavalo e morrido. Fica com os "dezoito" do pacote!
=D
como sempre excelente!
Beijo, Lu!

Anônimo disse...

ô vida difícil!
mas ó...se baterem na tua porta, pergunta se tem amigo e pede pra irem bater na minha!

no final de semana a gente se encontra!
saudade!
Dida,

Anônimo disse...

Ei, excelente! Sou suspeita e assumo. Não pare mais! Na quinta conversamos. Parabéns!
Beijos, Bel.

um dos três disse...

e pode comentário rasgando seda pra colega de blog é? hahahaha. o prazer é todo nosso ritinha.

Milena disse...

Menina, uma vez li um texto com esse mesmo discurso e ele concluia que o biscoito da sua vida não vai tocar a campainha da sua casa nunca, simplesmente porque ele também vai esperar você bater na porta dele...

Anônimo disse...

adorei esse texto, reflete em tudo no que eu pensava!