terça-feira, 23 de setembro de 2008

TEM MULHER QUE PASSA A VIDA BUSCANDO UM NAMORADO

por Rafael Moreno



Mariluce chegou olhando para os lados, pedindo para que os olhos do restaurante se virassem para ela. Sentou numa cadeira e manteve a postura ereta, assim seus peitos se levantavam e sua barriga ia para dentro. Pediu uma morangoroska e a tomou com canudinho, levantando os olhos de vez em quando, buscando alguém, por todo canto, que também a mirasse. Por isso fazia uma pose sensual. Ao seu lado, duas amigas conversavam. Mariluce sorria um sorriso de Miss, como se duas fitas durex puxassem os seus lábios. Não escutava o que as meninas diziam, apenas sorria. E pensava: é hoje... tô sentindo que é hoje.

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Giovanna pediu ao Nosso Senhor do Bomfim um namorado no primeiro nó, um noivo no segundo e uma lua de mel em Paris no terceiro.

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Andréa retornava qualquer chamada não atendida, principalmente quando não conhecia o número. Dormia com o telefone do lado, esperando uma ligação no meio da madrugada que dissesse Abre a porta, Andréa, que to chegando com seis cervejas e uma Coca-Cola Light. Ela abriria, faria um patê de atum com maionese, colocaria umas torradas em cima da mesa e até dormiria com frio, caso ele fosse de puxar o lençol.

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E tem a Isadora, que fez curso de culinária, de massagem japonesa e dança do ventre com o simples intuito de estar bem preparada quando o homem da sua vida bater em sua porta e dizer bom dia. O problema é que ele está demorando a aparecer. Será que Isadora vai lembrar do que aprendeu?

4 comentários:

Anônimo disse...

e tem tambem a Taynara que morre de medo de ficar sozinha para sempre, que encontrou um homem perfeito e que o perdeu por um relacionamento de 4 anos (da parte dele), e desde então espera uma ligação dele pedindo uma volta.

Carol Burgo disse...

to me sentindo tão Mariluce!
otimo texto como sempre.
capacidade bestial de analisar
o comportamento humano. beijo*

maria clara disse...

pensasse em alguém(ns) especificamente?

Vivians disse...

Já Viviane sente um aperto no peito quando escuta um "quer namorar comigo?". É a mesma sensação de estar presa num elevador antigo, com as luzes apagadas.