por Maria Rita Angeiras
Outro dia saí da agência no meio da tarde e fui no banco. Quando estou quase entrando na agência, o manobrista começa a cantar “Você não sabe o que é amor, você não sabe o que é amar”, embalada numa melodia meio cafoninha. Cantou o refrão e parou, então continuei andando normalmente. Saí do banco por uma rua, passei no posto pra tomar um café, e acabei voltando pela mesma rua que tinha ido. Quando passo na frente do banco, ele solta novamente: “Você não sabe o que é amor, você não sabe o que é amar”. Como não podia ser uma cantada, eu fiquei pensando se seria uma mensagem, se aquele homem cantando por acaso o mesmo refrão duas vezes na exata hora em que eu passo seria alguma mensagem divina pra eu deixar de ser essa coisa radical que ou ama demais ou não ama ninguém. Fiquei com aquilo na minha cabeça por um bom tempo, e até evitei passar por aquela rua alguns dias, com medo do senhor manobrista e conselheiro do Itaú do Jardim Europa inventar de dizer que eu não sei amar. Droga, moço, isso eu já sei, minha mãe já sabe, meus amigos já sabem e todo mundo que lê minha terapia de letrinha também já sabe. Que tal alguma novidade? Também já revi a cena trezentas vezes e me perguntei porque não parei na frente dele e pedi pra o bendito continuar a música, porque pelo menos assim eu ia saber a história toda ou como ela acaba. Não consegui. Continuei andando apressada com o Toddynho na mão, me sentindo decifrada por um estranho que manobra carros e tem péssimo gosto musical. Então hoje, depois de passar na mesma rua e relembrar a história, decidi dar um Google na letra da música. O refrão inteiro é assim:
Me dediquei somente pra você
Tudo que eu podia eu tentei fazer
Mas nada, não adiantou
Você não sabe o que é amor
Você não sabe o que e amar
Acha que é somente ficar, ficar, ficar
O que rolar, rolou
Eu só consegui dar risada na frente do computador. E por dois motivos. Primeiro, porque ele errou feio comigo. Segundo, porque eu tenho certeza de que, se Deus realmente existe, ele jamais mandaria uma mensagem divina numa letra do Aviões do Forró.
5 comentários:
Vc sabe que (quase) concordo com este texto! Rs.. Os velhos sinais realmente acontecem ao nosso total acaso, mas.. Eu tô achando que Ele (o todo poderoso de riba) deve ter apelado pra tu Rita! Rs.. Tipo: agora ela vai ouvir! Será possível que ela não vai ouvir! Rs.. Oh, avião é quase um torpedo viu? Camicase total! Kk.. (O que não são pontos de vista, não é? Delícia isso!)
Texto tua cara!
Sempre dialogando com o que vê, ouve, intui do exterior.
Até ouvi tua gargalhada.
muito bom. e acho que ele ouve roberto carlos também :)
Hahahaha
Se ainda fosse Chico e seu "você não sabe amar, meu bem. Não sabe o que é o amor. Nunca viveu, nunca sofreu e quer saber mais que eu", ainda ia.
Muuuito bom, Ritinha.
Beijo
hj roubei min do meu trabalho punk pra vir aqui ler você.
sempre acho o máximo, você É o máximo!
esses dias te mando email.
te amo moça, e sinto saudades!
ps: aqui ta tudo ótimo!
Dida.
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