por Maria Rita Angeiras
Às vezes você tem certeza que aquele cara com sorrisinho bobo e jeitinho de “cuida de mim” vai acabar com a sua tranqüilidade e um belo dia vai te deixar aos pedaços no meio da rua, mas você respira fundo e segue em frente. Porque, cá entre nós, não existe racionalidade que resista a esse tipinho de homem. Então um filme passa rapidamente na sua cabeça e você já imagina tudo que vai acontecer: o começo intenso, os momentos perfeitos, os olhares avassaladores e a hora em que ele simplesmente vira as costas e te abandona naturalmente, dando aquela viradinha malandra e te mandando um beijo lá da esquina. E você fica lá, meio triste, mas também meio conformada, porque sabe que esse tipo de homem passa pela sua vida rapidamente, como uma piscada, porque precisa se alimentar da paixão fulminante de centenas de mulheres ao longo do caminho, num impulso insaciável de bicho que respira últimos suspiros e sobrevive de amar aos pedaços. E são os únicos homens perdoáveis e nós nunca deixamos de amá-los ou de lembrá-los com carinho, porque carregam consigo uma certa inocência infantil que temos necessidade de consolar com abraços maternos e olhares compreensivos. E nunca desejamos mal a eles de verdade, porque quando um homem desses morre, pelo menos umas duzentas mulheres morrem junto. É quase uma sociedade secreta onde tudo acontece, mas nada se diz, talvez para não quebrar a poesia abafada. E carregamos nossos falsos-amores como troféus pela dor que suportamos toda vez que eles vão embora levando uma parte do nosso choro no ombro da camisa, porque aqueles homens não são e nunca serão de ninguém. E nós ficamos lá, paradas no meio da rua, como frágeis bonecas de porcelana, completamente ocas por dentro, imaginando a próxima que vai ter a sorte de se esconder naquele abraço. E eles seguem em frente, vivendo desse quase-amor distribuído sem culpa, invejado por todos os outros homens que nunca conseguirão ser amados com tanta urgência, por tantas mulheres e em tão pouco tempo.
* blog pessoal: http://eusouurgente.blogspot.com
13 comentários:
Nossa, que achado! Muito bom esse texto.
Caramba, Maria Rita!!! =) O conteúdo é meu conhecido, sim, confesso! Acho que quase todas as mulheres já conheceram esse "tipinho"... mas, a forma como você descreveu, deu um charme todo especial à história! =) Tirando nossas lágrimas e a incompreensível impossibilidade de realmente ter raiva deles...até que valeu à pena conhecer esses "tipinhos". rs!
Parabéns pelo texto!
É Rafael Moreno!
???
No começo do texto diz que foi escrito por "maria rita"...
hahahaha
o texto é meu sim, natalie.
mas alguém deve ter achado que rafa faz esse tipinho de cara.
=)
maria rita angeiras
Don Juan de Marco, o pefeito cafajeste ou tipinho irresistível. O homem que ama mulheres (no plural)... a cereja do meu sunday, meu petit gateau... como poucas vezes no ano, pois sempre será um prêmio. Mas comer todos dias causa indigestão e perde todo charme.
Don Juan de Marco, o pefeito cafajeste ou tipinho irresistível. O homem que ama mulheres (no plural)... a cereja do meu sunday, meu petit gateau... como poucas vezes no ano, pois sempre será um prêmio. Mas comer todos dias causa indigestão e perde todo charme.
kkkkkkkkkkk!! háááá táááá!!! rs!
desculpa aí! kkkkkkk!!!
(que bom, então, q não conheço esse tal "rafa"! kkkkkkkkk!!! ;)
Liga não, Ritinha. Esse é o tipo de homem que acaba a vida só.
E com essa carência toda, acabar só deve ser um castigo insuportável.
Alguém vinga o romantismo da gente, no fim das contas. Só que sem urgência, pra matar devagarinho.
;)
Beijo.
Excelente. escreveu com propriedade.
Parabéns
Pura verdade isso tudo, só que do mesmo jeito que eles arrecadarão o amor de várias mulheres, nunca saberão o que é sentir o amor de verdade .. pois a maneira que se despreendem com facilidade ñ é d alguém q algum dia realmente amou.
Experiência própria com esse tipinho de homem
hauauahuha
adorei o texto
adorei o texto. vi num comentário do manual do cafajeste ;*
Há sempre aquele que passa por sua vida e diz pra você, deliberadamente: "Serei parte dela. Serei pedaço de você". E ponto final. Há casos (como o meu) em que não foi só um que o fez. Ambos dividem a mesma moeda.
São acontecimentos que independem de sua vontade e propriedade do que sente. A criatura apenas vem e se instala. E quando vai, te leva. Você fica, muitas vezes bem, a vida continua a fazer-se diariamente. Mas a doce criatura já faz parte da tua pele, da tua defesa; já reboliçou, encontrou cantos perdidos e regou muitas vontades que você pensava em abandonar... Ele simplesmente apareceu. E se o acaso tem alguma coisa a ver com isso, é o nosso grandioso cúmplice.
Muito bom o texto. Um bom achado (Também cliquei por curiosidade nos comentários do Manual do Cafageste!).
http://lamoureusedoublement.blogspot.com/
Postar um comentário