por Maria Rita Angeiras
Eu tento te descobrir nas minhas sextas e nos meus sábados quase com um medo infantil de te encontrar de verdade e de ver minhas certezas irem por água abaixo. Falo dos meus sonhos bobos de menina e da minha espera por você com as pernas em cima do banco e com o cabelo todo bagunçado pelo vento, depois de um final de semana que eu não devia ter adiado tanto. Dou sorrisinhos despretensiosos e piscadinhas ordinárias por aí só pra disfarçar minha indiferença com todos os outros. Bebo a todos esses homens que eu vou amar e que infelizmente ainda não serão você. Prendo meu cabelo num coque todo cheio de personalidade e declaradamente ridículo pra ilustrar a bagunça em que minha cabeça vive atualmente. Escuto todas as músicas que já me lembraram alguém, que hoje não me lembram ninguém e que um dia vão me lembrar de você. Escrevo crônicas endereçadas e te traio por fazer um registro dos que já passaram por mim, como se valessem a delicada lembrança. Ignoro metadezinhas e pedacinhos oferecidos em banquetes de sábado à noite, na tentativa de preencher os meus vazios e espaços em branco. Morro lentamente em beijos e abraços, esperando estar inteira para receber os seus no dia em que você chegar. Guardo meu amor protegido em uma caixinha dentro de um cofre pra não me perder em caras como aquele, de olhos castanhos tão escuros e perfeitos que me deixaram sem reação por uns dez segundos. Faço pequenas confissões ao pé do ouvido, abafadas pelo calor anestesiante e pela bossa nova de fundo. Danço distraidamente. Brinco de ser equilibrista em meio fio de calçada. Faço poesia em cima do concreto. E canto, canto feito uma louca desafinada por quatro horas, fazendo serenata para o homem que um dia ainda vai me fazer amar de novo.
* blog pessoal: http://eusouurgente.blogspot.com
Um comentário:
Medos, sonhos e desejos...
Interessante.
Em Paz, vê-se a seguinte descrição: o amor verdadeiro só acontece quando o desejo se encontra com a realidade.
O que significa que, para isso, precisamos abandonar o ideal romântico em favor de um conhecimento real, autêntico, do parceiro, inclusive em suas imperfeições.
Foi para mim um bom exercício de reflexão.
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