por Maria Rita Angeiras
MEU MAL
Eu e minha bronquite que não cura
No meu peito que sempre dói
Acusando toda sua culpa
Por fazer tão mal uso dele
Agora só escreve linhas curtas
Pra falar de mim e de tu
E de como somos abençoados
Por nunca termos sido dois
Nesse meu peito que não agüenta
Essas maldades que você me diz
E essas crueldades que eu te devolvo
Só pra te machucar um pouco
Quando te descubro por perto
Porque ao lado do meu peito que dói
Tem um coração que pula
Às vezes, quando te vê, que bobo
DOIS MENOS DOIS
Teu jeito abusado de me invadir
Sem por favor e sem licença
Se abriga no meu lado que te esconde
do meu lado que não te quer
E eu afogo nós dois no meu soluço
Pra ver se mato o resto dessa dor
Que sobrou em algum lugar
E que a gente não sabe onde fica
Porque cansei de ser bicho enjaulado
Preso no seu jeito de não dizer
As coisas que também não sente
Porque a gente é passado e ainda não sabe
2 comentários:
e não é que, além de tudo, ainda escreve poesia?
Ritinha, a AD nos diz que o uso de muitos "nãos" têm um significado especial (mesmo subliminar).
Já pensou o que isso quer dizer?
Pensemos: "não dizer" quer dizer algo sim; é possível alguém existir num estado de "não sentir?" etc. etc.
Brinca esse jogo de contrários,menina, que tu és boa, mesmo.
Amor incondicional
Lori
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