por André Muhle
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.
Quem não assistiu, assista. Quem puder, me responda:
E se fosse mesmo possível apagar alguém da nossa memória?
Escolher uma pessoa qualquer e, pasmem, delete.
Esqueçamos os detalhes técnicos do processo
E nos concentremos no que realmente interessa a esse texto:
Quem você apagaria?
Um namorado que só trouxe sofrimentos?
Uma ex-mulher que levou metade dos seus bens?
O poodle que morreu em seus braços no ano passado?
Gente pra apagar não faltaria. Aposto.
Imagina então como a vida ficaria mais fácil.
Você acabava um relacionamento de vinte anos.
E no dia seguinte, não lembrava de mais nada.
Uma vida sem arrependimentos ou lamentações.
Sem retratos rasgados ou noites em claro.
Seria a falência dos psicólogos e escritores de auto-ajuda.
Vamos aprofundar ainda mais a questão.
Bastaria apagar a pessoa?
Ou teríamos que apagar tudo que nos fizesse lembrar dela?
A música do primeiro beijo. O bar do último encontro.
O crepe de rúcula e tomate seco que vocês adoravam.
Isso ia virar uma bagunça. Digo mais.
Iam ter ex-namorados se cruzando na rua sem nem se reconhecer.
Maridos dando em cima de suas próprias ex-mulheres.
Eu poderia apagar uma menina ontem e me apaixonar por ela hoje.
Bastava, para isso, ver aquele jeitinho dela arrebitar o nariz.
Sim, porque eu posso ter me esquecido dela,
mas continuo me apaixonando por meninas que arrebitam o nariz.
Eu tenho uma opinião bem pessoal sobre o assunto.
Sei que a possibilidade de apagar pessoas é realmente tentadora.
Aposto até que você já cogitou vários nomes aí na sua cabecinha.
Mas acredite, a vida não seria mais fácil por causa disso.
Nem um pouco.
Você não enfia um dedo na tomada por uma razão bem simples:
Você se lembra da dor que sentiu na última vez que levou um choque. Entende aonde eu quero chegar?
Se você apagasse um “erro” da sua memória, digamos assim,
mais cedo ou mais tarde, você iria cometer esse mesmo erro.
Uma vez, outra vez e outra vez novamente.
É o destino, caros leitores. E tem mais.
Se Romeu tivesse apagado Julieta,
será que ele teria sido feliz com outra mulher?
2 comentários:
Adoro este teu texto, André, mas cadê os novos?
cadê o Mondo Cane, por exemplo?
desistisse?
E se ao invés de apagar o que passou e correr o risco de repetir os erros novamente, a vida tivesse ctrl+z?
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