por Rafael Moreno
Nas nuvens. Em outro planeta. No pescoço é que não. Terra chamando Rafael.
Se a gente, eu e você, se conhece bem, sabe que viver com a cabeça longe é uma das minhas principais características. Se não nos conhecemos tanto assim, provavelmente nem lembro seu nome. É sério. Eu vivo no mundo da lua. Melhor amigo de Lucas Silva e Silva. E não me pergunte como, mas o interessante é que, ao mesmo tempo, tenho a habilidade de lembrar a data em que conversamos de determinado assunto há quatro ou cinco anos. Detalhes da minha infância. Cor de roupa. Marca de cerveja do meu aniversário de vinte e dois. Gol de Ataíde contra o flamengo em noventa e sete. O problema é que a falta de memória continua mais forte. Sempre mais forte. E isso costuma me atrapalhar um pouco.
Ontem, por exemplo, eu saí pra tirar dinheiro e quando cheguei embaixo do meu edifício lembrei que havia esquecido a chave. Tudo bem. Subí de novo até o sexto e toquei a campainha vezes seguidas, sem Vicent atender. Eu estava no sétimo. Então desci um andar, peguei a chave e finalmente saí. Na fila do banco, esperei uma, duas, três, quatro, cinco, seis pessoas. Quando chegou minha vez lembrei que tinha esquecido a carteira. Beleza.
A turma lá de Casa (com C maiúscula é minha casa no Brasil) já sabe disso muito bem e por mais que eu me esforce, não tem jeito: só lembro do celular quando estou no carro, de um livro quando estou na esquina e de avisar a mainha que Estér ligou quando ela liga de novo e eu falo Ah! Estér te ligou hoje. Às vezes uns cinco dias depois. Às vezes nem falo. Geralmente nem falo. Certa feita (e que legal é escrever “certa feita”) eu ia pra uma entrevista de emprego e separei minha melhor camisa - essas que a gente nunca usa porque gosta muito. Esqueci em cima do carro e só me dei conta uns vinte quarteirões depois. Perdi. E tive que voltar em casa pra pegar outra.
É um clássico: vou sair e tenho que levar isso, isso e aquilo outro. Não vou esquecer. Não vou esquecer. Não posso esquecer. Então separo tudinho e coloco perto da porta. Quando estou saindo pego tudo, saio, fecho a porta e lembro que esqueci outra coisa. Coloco no chão, entro para pegar essa coisa e quando saio já era. Adeus. Hasta luego. Ligo pra dona severina no meio do caminho pedindo pra ela guardar que passo de meio dia pra recolher. É um clássico.
A fama tá pegando e com razão. Preciso começar a viver com uma agenda e aprender a não confiar mais na minha memória.
Eu tinha um final muito bom para essa crônica.
5 comentários:
Hã?
¿Sabes por qué te olvidas?
http://www.eduardpunset.es/blog/?p=116
Eu li esse post e lembrei disso aqui, ó
http://blog.hiro.art.br/2007/09/13/a-memoria-de-samanta/
É tu, versao feminina :D
Beiju, Guapo
Porra Moreno, eu acho que sou retardado. Já tentei fazer comentários nesse blog e nunca consegui, espero que esse funcione. Queria comentar sobre esse teu texto, mas já esqueci o que era, então fica só a intenção.
Beijos do Gordo.
Agora pode acrescentar que achou que tinha perdido o celular em Olinda, depois de mil ligações para o próprio celular, 2 horas e 45minutos depois, viu que o celular estava no bolso. Oh juízo!!!
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