segunda-feira, 19 de novembro de 2007

O VÁCUO CEREBRAL

por Maria Rita Angeiras




Este ano conheci uma pessoa que também já viveu fisicamente as experiências extra-corporais proporcionadas pelo Dramin. Isso, o bom e velho Dramin que você toma quando está enjoado - o que, aliás, é um desperdício. Médicos conhecidos recomendam: pra dormir, troque seu ansiolítico por um desses comprimidos brancos e baratos que seu sobrinho usa para não enjoar no carro. A melhor parte: nada de tarja preta ou desculpas esfarrapadas para um psicólogo de que "- droga, eu não tenho conseguido dormir, doutor". Infelizmente, ele vem com uma contra-indicação contra-indicada por mim mesma e, agora, pelo cara que eu conheci. Durante o período de morte cerebral causada pelo intenso sono, você vai conhecer a experiência do vácuo corporal e mental, o exato momento em que seu corpo se debate com a sua alma dentro de você mesmo. Nesse instante você está fisicamente alerta, ouve tudo à sua volta, raciocina perfeitamente, mas seu corpo não responde a nenhum estímulo, ou seja, "droga, eu não consigo me mexer". É a sensação mais estranha que eu já tive na minha vida - fora a Crisma, logicamente. O limbo humano. O estar sem estar. Um buraco negro entre a decisão de acordar ou continuar dormindo. O efeito da química e as reações físicas conspirando, independentemente da sua vontade, sobre qual caminho deve ser tomado. O vácuo. O vazio. O oco. O escuro. A consciência mental da falta de controle do corpo. Não, isso não é um barato. É, aliás, a pior sensação que alguém pode ter na vida: a dúvida sobre estar ou não vivo, uma experiência de pós-morte e pré-vida acontecendo no mesmo lugar: a sua cama. Uma salada química. O tal cara ainda não sabia o que fazer nesses momentos. Eu aconselho: tente um movimento muito brusco e, em poucos segundos, você retoma a vida fora da placenta, do invólucro celestial, da bolha aurática. Não tente dormir de novo, espertinho, o efeito sempre volta. Para mim, o remédio é parte de uma sociedade ultra secreta, moeda barata para experiências psíquicas não-intencionais. Um dia o morro vai conhecer o Dramin - e alguém vai ouvir a seguinte frase:


- E aí, mano, passa o Dramin ou eu meto bala.

Um comentário:

Anônimo disse...

acho que essa sensação, infelizmente,não é do dramin. já conversei com diversas pessoas que sentiram a mesma coisa e, segundo os espíritas, isso é uma sensação chamada desdobramento, que é o momento que o espírito deixa ou volta ao corpo, depois de passear por aí. você deve ser sensitiva ou estar sensitiva nesse momento.
p.s. sou amigo do andre.abraço.