por andré muhle
Tem um texto que eu adoro. Diz assim “Muito se louvou a arte do encontro, mas poucos louvaram a arte do adeus. No entanto, não há gesto tão profundamente humano quanto uma despedida. É aquele momento em que renunciamos não apenas à pessoa amada, mas ao mundo, ao universo inteiro. O amor relativiza, a renúncia absolutiza. E não há sentimento mais absoluto do que a solidão em que somos lançados após o derradeiro abraço, o último e desesperado entrelaçar de mãos.” Adoro esse texto com toda minha alma. Mas se algum dia, tivesse a oportunidade de conhecer seu autor, pediria para ele ir um pouco mais longe: O que a gente faz depois que se separa dessa tal pessoa amada? Como se esquece dela? Como se parte pra outra? Como se sobrevive a um ex-amor? E, em casos mais específicios: Como não pensar nela quando se vê “Um Lugar Chamado Notting Hill”? Como não pensar nela quando escuta Cazuza cantanto “Confundo suas coxas com as de outras moças”? Ontem na Saraiva vi um livro com o seguinte título “Eu tinha saudades dele, mas estou melhorando”. Juro. Ou seja, homens e mulheres sofrem do mesmo mal. E acredito que será assim pra sempre. Minha psicóloga diz que a gente só está pronto para um novo amor, depois que abandona o antigo. Ela só esqueceu de dizer como se faz isso. Esse último mês descobri uma pessoa que conseguiu fazer perfeitamente. Henrique VIII, rei da Inglaterra. Lá pelos idos de 1500, o monarca era casado com a Rainha Catarina de Aragão, mas de uma hora pra outra, como não podia deixar de ser, pegou abuso da infeliz. Para tirar a coitada do seu caminho resolveu anular o casamento, baní-la da corte real e mandá-la para o outro lado do país onde Catarina morreu de fome e de miséria. Henrique resolveu se casar com sua amante, a famosa Ana Bolena. Mil dias depois, já de saco cheio da tal Lady Ana, Henrique se apaixonou por sua nova amante, Lady Jane. Henrique não pensou duas vezes. Acusou a Rainha Bolena de bruxaria e mandou prendê-la e decepá-la. Tudo isso em questão de semanas. Dez dias depois da decapitação, Henrique se casou com Lady Jane. Dessa forma, a história foi se repetindo em todos os seis casamentos do rei. Ainda que às custas de um pescoço cortado, poucas pessoas no mundo souberam superar um antigo amor tão bem quanto Henrique da Inglaterra.
11 comentários:
Henrique VIII para o fogo!
Meu querido, tu num sabe o quanto eu tô contigo. E num abro nem a pau!
nietzsche diz que nós não amamos as pessoas, mas as coisas que as pessoas proporcionam pra gente, o que elas fazem a gente sentir.
é uma teoria meio egoísta do amor. mas não é por acaso que às vezes ele acaba (ele deixou de abrir a porta do carro, deixou de me dar um beijo de boa noite, deixou de me dar atenção, enfim, a lista é longa...)
pra mim, amor pra vida inteira é um aprendizado. não vem formado, pronto, à primeira vista. a gente tem que aprender a gostar do que as pessoas proporcionam de bom pra gente. e de ruim também.
Será que o Rei sabia o que é amor?Sentiu o amor uma única vez?
depois desse comentário anônimo, eu acho que ninguém deveria postar mais nada.
disse tudo...
Não sei se essa forma de amar existe, pois o que caracterizam como esse tipo de amor, acredito não ter sentido. Ainda assim, até eu sei que Henrique VIII nunca amou alguém. E esse texto, escritor, dor de amor?
Não importa se acabou, o importante é ter algo muito bom pra se lembrar. O que seria do mundo sem o amor? É um egoísmo pedir que ele vá embora! Deixe que ele permaneça em nós e que seja um amigo, que nos acompanha e faz nossa vida muito mais colorida. Se acabou é porque nos deu o que podia, aprendemos, crescemos, rimos e choramos com ele.
O bom mesmo é curtir esses momentos de "fossa" sabendo que eles são únicos e que naturalmente irão embora na hora devida, sendo substituídos por amor à outra pessoa ou por mais amor a nós mesmos! Pobre daqueles que não tem com quem se lembrar ao assistir "Um lugar chamado Nothing Hill".
poxa nina, teu comentário ficou melhor que o texto. juro. andré muhle.
Pelo menos ele não corria o risco de se arrepender e voltar para a ex (:
Se henrique VIII não amou e teve seis esposas, o que é que a gente diz de Vinicius?
Eu já não sei de mais nada!
Rafa? Você pode ajudar?
André, quer um abraço?
:)
já que falaram em Vinícius, como comentei com André, não podemos esquecer que: "...a vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro..."
bjo,
Nanda
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