segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

PARA O MEU DOCINHO

por Maria Rita Angeiras



Enquanto todo mundo acha que eu sou a escritora desesperançosa e melancólica, você ri disso comigo ao telefone e sabe que é tudo banca de quem faz terapia com letrinha. E que o verdadeiro problema da minha d.d.c. é amar demais a ponto de não deixar ninguém me amar de volta, como se o meu amor já fosse suficiente para duas pessoas. E você tenta me aconselhar a amar certinho, sem muita pressa, e fala isso de um jeito tão lindo e materno que eu acalmo minha urgência de viver só para você dormir em paz essa noite e todas as outras que você me pedir. E você me liga pra diminuir nossa distância e a gente acaba discutindo Clarice e citando, em conjunto, aquele trecho do “Eis que sinto que em breve nos separaremos”, apesar de eu saber que nunca fui e nem nunca serei “só de ti”. E eu adoro aquele seu jeitinho de sambar errado, meio durinho, e você briga comigo dizendo que é culpa minha porque eu desisti de te ensinar, mas eu não desisti não. E um dia prometo te levar no desfile da Mangueira e te ver sambar bonitinho até chegar na Apoteose. E na Espanha você me obrigou a tirar uma foto na pracinha florida e eu fiz bico, enquanto você sorria. E eu tento me perdoar todas as vezes que eu olho para essa foto e dou um sorriso bem grande só te para compensar pela minha birra de caçula mimada, que você conhece tão bem. E como eu te amo mais do que a mim mesma, resolvi escrever essa crônica, mesmo arriscando cair na terrível limitação das palavras. Uma crônica para te mostrar todo o meu amor. E como ele é muito grande e nunca vai acabar, decidi que essa crônica não tem fim, ela simplesmente continua.

4 comentários:

Anônimo disse...

declarações de AMOR para mim são sempre as melhores!
feliz com o texto.
bjo,
Nanda.

Anônimo disse...

E eu que às vezes comento que a crônica ainda não acabou, porque vc tem pressa, cedo ao argumento de que essa não tem fim.
E identifico antecipações, reconstruções e imagens num discurso não inerte, em que somos duas e uma ao mesmo tempo.
Só não é possível, moça, amar mais do que a si mesma. Isto é o que permite aquilo.
Te amo,
Mami

Anônimo disse...

Simplesmente linda. Crônica merecida.
Amo!
Beijos, Bel

Anônimo disse...

Linda! Incrivelmente Linda, emocionante e verdadeira.
E eu sou uma pessoa muito feliz por conhecer esses "personagens" todos.
Amo muito!
Dida.