quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

TE AMO VEZES 100

por Maria Rita Angeiras



Sempre que tenho dias muito sonolentos lembro de você me chamando de “gato de hotel”, daqueles que vive com preguiça e se enrosca em qualquer lugar para tirar uma sonequinha. E logo vem na minha cabeça a imagem de você dirigindo com as três filhas desmaiadas atrás do carro, uma caindo por cima da outra. Logo você, que tem problemas pra dormir, né? E faço dessa conversa um diálogo direto porque ultimamente tudo tem sido tão corrido que a gente só consegue colocar em dia o “oi, tudo bom?”. Pra ser sincera, ultimamente você esteve tão presente nos meus assuntos que resolvi rabiscar umas palavras, apesar da gente trocar mensagens lindas e das suas estarem na categoria “inapagáveis” da minha agenda. Sabe que ontem eu confessei que te idolatrava tanto quando era criança que até daria a minha vida pela sua caso precisasse, mesmo você sendo o meu super-herói do “1, 2, 3”. Eu te achava tão forte e tão desprotegido ao mesmo tempo. E eu cresci te admirando tanto pelo que você é e pelas coisas que conquistou que decidi nunca te decepcionar. Então saí do nosso cantinho, fui morar longe, virei escritora, fiz pós-graduação, passei com distinção e trabalhei muitas horas só para você se orgulhar da sua menina. E toda vez que cometo um erro fico triste só com a possibilidade de você ficar também, porque eu quero que você seja muito feliz sempre. E o pior é que você não me cobra nada disso, nunca cobrou. E eu sei que você preferiria ter a sua princesinha e um genro do Náutico por perto do que uma redatora e pseudo-escritora longe. E eu rio quando você me chama de MR porque parece que eu cresci, mas quando volto pra casa ainda me sinto sua menina e até ando meio desleixada só pra você reclamar desse meu jeitinho despreocupado. E eu, que vivo em eterna poesia distraída, tento ser hermética e matemática ao seu lado, porque não dá pra divagar muito conversando com um engenheiro sem deixar ele entediado e perdido. No máximo tiro sua atenção com um sorrisinho de filha caçula e saio sorrateira, escorregando pela cadeira e escapando por debaixo da mesa das suas perguntas difíceis e do seu português adorável.

7 comentários:

Isa disse...

Achei o blog genial. Os posts, mesmo que às vezes tenham feito muito mais snetido pra autora, conseguiram fazer com que eu me identificasse.
Adorei!

E aproveitando a oportunidade pra indicar o blog de uma outra Maria Rita (que foi inclusive quem me indicou esse blog),por sinal muito boa.

http://canseidevoces.blogspot.com/

Aqui está. Passe lá e vê se gosta.
Beijos e parabéns pelos posts.

um dos três disse...

Brigada pelo carinho, Isadora. =)

Espero que continue acompanhando o blog!

Um beijo, moça.

Anônimo disse...

Adoráveis! O texto, ele e você!
beijo,
Dida.

Anônimo disse...

Adoráveis! O texto, ele e você!
beijo,
Dida.

Anônimo disse...

Merecida, idem à crônica anterior...

Beijinho, Bel

Babi disse...

Que coisa mais linda, dona moça!

Beijos.

Anônimo disse...

toda arrepiada.