quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A MENINA-BOMBA

por Maria Rita Angeiras



Já diz a famosa música-clichê que “saber amar é saber deixar alguém te amar”. Eu cheguei à conclusão de que acho que não sei. Ao menor sinal de reciprocidade, dou um jeito de me sabotar, num impulso completamente inconsciente, mesmo que eu esteja gostando muito da outra pessoa e já imagine a gente velhinho junto. Uma reação tão destrutiva que eu brinco que sou praticamente um homem-bomba, que além de se machucar, acaba machucando também quem está em volta. Mas é tão sem querer que quando percebo já fiz a besteira e não tem mais como consertar. E eu nem sei se quero consertar, talvez o problema seja esse, porque amar dá tanto trabalho e minhas crônicas vão ganhando tantos “você” que o meu estilo literário acaba sendo enquadrado na seção “dor de cotovelo” e eu não quero virar auto-ajuda pra ninguém porque nem eu sei como me ajudar. E essa semana passei praticamente uma hora e meia discutindo isso com uma amiga ao telefone, que falava de um jeito muito querido pra eu me deixar levar, não ficar afastando as outras pessoas da minha vida. Porque, no fundo, ela sabe que essa pose de menina que não se importa é só fachada para não levar olé de marmanjo. Então eu saio por aí torcendo para nenhum cara-potencial ser legal demais, educado demais, bacana demais, fofo demais ou inteligente demais porque eu posso acabar me mudando de mala e cuia para o Uzbequistão só para o cupido não me acertar de novo. Ou então ativo o modo “menina-bomba” e acabo inventando que sou sonâmbula e que já fui encontrada fazendo nado sincronizado no meio do lago do Ibirapuera às duas da manhã. É por isso que quando um amigo meu brinca que eu tenho burrice emocional – e não inteligência – eu concordo plenamente. Mas passo pelo menos uns dois dias muito indignada com a sinceridade dele.

16 comentários:

Anônimo disse...

eu te entendo.
também quero perder esse medo.e descobrir o porque dele.
acho que temos que conversar mais sobre isso.
quero você "perto" assim de alguma forma. pra sempre!
amo nossas semelhanças e nossas diferenças!
te amo menina-bomba!
Dida Menina-Bomba

Babi disse...

sensacional, como sempre...
e que coragem =)
e que identificação com o texto!
e que vontade de escrever assim como tu!

beijoca :*

Anônimo disse...

a menina que escreve sobre amor não sabe amar. parece até piada, né?

enfim, nunca foi tão difícil postar uma crônica, só sei disso...

beijos

ritinha

Anônimo disse...

Não é nem "não saber amar", mas se deixar amar, o que implica correr riscos, né, menina?
Se é esse o caso, viver é correr riscos.
E em verdade, temos poucas e instáveis certezas a respeito desse quesito...
De positivo, fica o saldo de ter consciência, mesmo superficialmente, da questão.

É como se costuma dizer: você ainda tem jeito, menina.

Te amo incondicionalmente.
bj,
Lori

um dos três disse...

Better to write for yourself and have no public, than to write for the public and have no self. - Cyril Connolly

andré muhle

Anônimo disse...

Bravo, André!

Anônimo disse...

acho que eu já ouvi alguém dizendo essa frase antes... será que não fui eu?

hahahahaha

tu é muito ordinário, deco.

ritinha

Maria Rita, Brasil. disse...

"Ou então ativo o modo “menina-bomba” e acabo inventando que sou sonâmbula e que já fui encontrada fazendo nado sincronizado no meio do lago do Ibirapuera às duas da manhã."

hahahahahaha, eu ri.
cara, me indentifiquei muuuito com o texto!
Minha amiga me chama de 'desastre emocionalmente natural' :p

beijos!

Anônimo disse...

Vou imprimir a crônica e andar com ela na bolsa para poder ler toda vez que a bomba começar a chiar...
Parabéns, Maria Rita.
Márcia.

Flávia Assis disse...

Olá Rita!
Nossa você simplesmente escrveu o que eu sinto numa simplicidade incrível! Quero essa clareza de pensamento pra mim! Esse negócio de auto-sabotagem é a maior furada e eu tenho problemas com isso. Já deixei passar muita coisa por causa dessemedo ridículo de simplesmente me abrir para o novo. Dificuldade de me jogar. Vou colocar o link do seu blog no meu. Se você se importar, me escreve por email que eu retiro, ok?

Flávia Assis disse...

Olá Rita!
Nossa você simplesmente escrveu o que eu sinto numa simplicidade incrível! Quero essa clareza de pensamento pra mim! Esse negócio de auto-sabotagem é a maior furada e eu tenho problemas com isso. Já deixei passar muita coisa por causa dessemedo ridículo de simplesmente me abrir para o novo. Dificuldade de me jogar. Vou colocar o link do seu blog no meu. Se você se importar, me escreve por email que eu retiro, ok?

um dos três disse...

não me importo, flávia =)

e obrigada pelas palavras, é muito bom encontrar gente que se identifica com o que nós escrevemos. é meio reconfortante.

beijo

ritinha

Anônimo disse...

Mulher, já no começo (!) da leitura eu pensei que tinha algo diferente no teu texto... Achava que teu estilo geralmente era menos direto.

O que talvez torne a maneira de narrar as coisas até mais poéticas, é verdade.

Mas sem dúvida é o texto mais "sincero" (no sentido de "direto", mas igualmente legítimo) que já li teu.

Dá pra "perder o medo" de assumir algumas posturas e continuar encantadora. Escrevendo gostoso demais (bem prático, bem vida real).

"que o meu estilo literário acaba sendo enquadrado na seção “dor de cotovelo” e eu não quero virar auto-ajuda pra ninguém porque nem eu sei como me ajudar." ----> hahahahahaha Acho que mesmo se tu não quiser, tuas construções saem engraçadas! :)

um dos três disse...

é, verdade, mannu, eu geralmente acabo sendo mais indireta até pra não me expor além da conta. acho que por isso foi tão difícil postar essa.

mas na terapia de letrinha não dá pra escolher muito o que falar. eu gosto de pensar que escrever acontece, não pode ser pensado demais.

ritinha

flavia disse...

é que tem gente que é vidro blindado e outras são vidro temperado, amiga.

ou se protege demais e se fecha, ou se protege 'de médio' mas se quebra em pedacinhos...

Acessórios Maria Ribeiro disse...

Mulher!!!
Que texto perfeito =)